sexta-feira, 25 de abril de 2008

um travar de língua
e mais uma vez me quedo na tentativa repetida de me
traduzir.

sublinho:
urgente inventar um idioma que diga das palavras engasgadas.
daquelas que se traduzem no acontecer.


(Foto: Bognár Tamás)

terça-feira, 22 de abril de 2008



Prenda antecipada ao Dia internacional do livro, que é também
Dia de Sant Jordi, que é também o Dia da Rosa aqui na Catalunha



sexta-feira, 18 de abril de 2008

(Foto:Katia Chausheva)
Por un lado
la vida que pasa
como un batallón de bárbaros quemando aldeas
y te deja
con ese olor a desolación en los ojos.
Por el otro
cuentas las monedas como cuentas de rosario
para llegar a fin de mes bajo techo
.
Este oficio no es más sencillo con la práctica.



Miriam Reyes

quarta-feira, 16 de abril de 2008

(Foto: Michal Grzywacz)

Oh as casas as casas as casas

as casas nascem vivem e morrem

Enquanto vivas distinguem-se umas das outras

distinguem-se designadamente pelo cheiro

variam até de sala pra sala

As casas que eu fazia em pequeno

onde estarei eu hoje em pequeno?

Onde estarei aliás eu dos versos daqui a pouco?

Terei eu casa onde reter tudo isto

ou serei sempre somente esta instabilidade?

As casas essas parecem estáveis

mas são tão frágeis as pobres casas

Oh as casas as casas as casas

mudas testemunhas da vida

elas morrem não só ao ser demolidas

Elas morrem com a morte das pessoas

As casas de fora olham-nos pelas janelas

Não sabem nada de casas os construtores

os senhorios os procuradores

Os ricos vivem nos seus palácios

mas a casa dos pobres é todo o mundo

os pobres sim têm o conhecimento das casas

os pobres esses conhecem tudo

Eu amei as casas os recantos das casas

Visitei casas apalpei casas

Só as casas explicam que exista

uma palavra como intimidade

Sem casas não haveria ruas

as ruas onde passamos pelos outros

mas passamos principalmente por nós

Na casa nasci e hei-de morrer

na casa sofri convivi amei

na casa atravessei as estações

Respirei – ó vida simples problema de respiração

Oh as casas as casas as casas


Ruy Belo



poema lido e surrupiado numa casinha tóxica

sábado, 12 de abril de 2008

sexta-feira, 11 de abril de 2008

(Foto: Berenika)

alguna vez
alguna vez tal vez
me iré sin quedarme
me iré como quien se va


Alejandra Pizarnick



quarta-feira, 9 de abril de 2008

#"uma frase batida"#



E enfim duma escolha faz-se um desafio

enfrenta-se a vida de fio a pavio

navega-se sem mar sem vela ou navio

bebe-se a coragem até dum copo vazio

e vem-nos memória uma frase batida

hoje o primeiro dia do resto da tua vida

hoje o primeiro dia do resto da tua vida

Sérgio Godinho, Primeiro Dia

terça-feira, 8 de abril de 2008

#o cheiro colorido das minhas almofadas#

laranja. rosa. azul. verde.




#um olhar banhado de Porto#





segunda-feira, 7 de abril de 2008

Das coisas essenciais para levar na Viagem
#livros de poesia#
(Foto: Whitney Hubbs)
Não sei quando começou este meu diálogo com a poesia. Às vezes sinto que há poemas, mais do que outros, que esperam a nossa visita. Que nos aguardam na esquina da loucura e da solidão. Lembro cada instante em que descobri os grandes poetas da minha vida. E revisitá-los é (re)ler-me por dentro. Saber que há um poema à minha espera é tantas vezes a única fuga para o único encontro.

sábado, 5 de abril de 2008

boomp3.com


(Foto: Vilhelms Mihailovskis)

There's a place for us

Somewhere a place for us

Peace and quiet and open air

Wait for us

Somewhere

There's a time for us

Someday the'll be a time for us

Time together with time to spare

Time to learn

Time to care

Someday, somewhere

We'll find a new way of living

We'll find there's a way of forgiving

Somewhere

There's a place for us

A time and a place for us

Hold my hand and we're half way there

Hold my hand

And I'll take you there

Somehow

Someday, somewhere


Tom Waits, Somewhere

quinta-feira, 3 de abril de 2008

(Foto: Maarit Hohteri)


detenho-me numa pequena ferida
que acabo de descobrir na mão esquerda.
é pequena mas incomoda.
arde-me esta mão.

e de súbito na outra
(aquela que não arde)
a desmedida cartografia de todas as outras dores.
as maiores.





quarta-feira, 2 de abril de 2008


tento abraçar-te para não caíres.
mas por vezes também os meus braços são dois vasos
partidos
que habitam sem querer a vertigem do chão.





(Foto: Miranda Lehman)
(Foto: Glumii)
Acrescentarei agora
ao fim da tarde: escrever
é também
lançar bóias
ao mar (é isso
que se chama
escrever
sobre a água). Ou atirar
em direcção ao sul
algumas garrafas vazias
e sem destinatário. E não haver,
por isso, salvação. Assim
o dizes, ao menos,
e eu acredito.
Albano Martins, Ao fim da tarde.